Quantidade x Qualidade

É muito interessante observar como muitos colegas ainda têm a ideia fixa de que a quantidade é inversamente proporcional à qualidade, ou seja, quanto mais pessoas são atendidas e mais procedimentos são feitos no mesmo período de tempo, pior será a qualidade. Será isso uma verdade? Não necessariamente.

Para início de conversa, cabe uma discussão, quase filosófica, sobre o que é "qualidade". Suponha que você seja um odontopediatra. Sob o ponto de vista do seu paciente, qualidade pode ser um atendimento "alegre" e sem dor. Para os pais, qualidade pode ser por exemplo, a aceitação do tratamento e do profissional pelo filho, ter os procedimentos correta e previamente explicados aos pais, etc. Para o convênio (pagador do serviço) qualidade pode ser a eficácia do procedimento dentro dos prazos de não repetição contratados, preço baixo etc. Para você, profissional, qualidade pode ser outra coisa radicalmente diferente de todas as demais. Portanto, vemos que qualidade é um conceito subjetivo. Na verdade, é um juízo que uma pessoa faz sobre alguma coisa, baseado em suas expectativas, seu conhecimento prévio sobre o assunto e seus valores pessoais, trazidos de sua família e de sua comunidade. Mas independente disso, e para não complicar demais essa conversa, vamos considerar que estamos chamando "qualidade" a realização de procedimentos odontológicos dentro da mais pura técnica acadêmica e padrões cientificamente aceitáveis e recomendáveis. Assim como em qualquer profissão, a odontologia também apresenta tipos diversos de prestadores de serviço: há aqueles que zelam pela extrema qualidade, negligenciando todos os aspectos gerenciais, humanos e econômicos do tratamento. Há também aqueles que, por outro lado, objetivam apenas a quantidade, esquecendo dos critérios técnicos e dos passos necessários e recomendados para o sucesso duradouro do tratamento. Ambos estão igualmente errados e fadados ao fracasso a longo prazo. Mas há ainda aqueles que sabem zelar pela qualidade e obter uma quantidade grande o suficiente para que apresente bons resultados, principalmente financeiros. Quando se faz o máximo de procedimentos possíveis, e com qualidade aceitável, em um menor número de tempo, damos o nome de produtividade. Todos sabemos que numa "linha de produção", quanto mais produtos são feitos no mesmo período de tempo, mais barato eles podem ser vendidos e, conseqüentemente, mais pessoas poderão comprar, aumentando os lucros. Com melhor produtividade, pode-se também optar por manter o preço e reduzir o custo unitário, o que também significa maior lucro. Vale para produtos, vale para serviços. No consultório odontológico, os custos fixos devem ser rateados pelo tempo que você gasta em cada procedimento. Por exemplo, se você possui um custo fixo (aluguel, salário de funcionários, água, luz, IPTU, etc) de R$ 2.000,00 e leva 45 minutos para fazer uma restauração de amálgama e tem uma jornada diária de 8 horas, trabalhando de 2ª a 6ª feira, então cada vez que fizer tal procedimento terá um custo de R$ 9,37. Esse valor precisa necessariamente ser repassado para o preço. Porém, ao reduzir esse tempo para 20 minutos, seu custo fixo proporcional a este procedimento será de apenas R$ 4,17. Mais uma vez lembramos que, uma vez obtida essa produtividade, você terá duas opções: abaixar os preços para ganhar volume ou apenas manter o preço, pois terá aumentado a margem de lucro, como procuramos demonstrar acima. Com este tipo de informação em mente, você pode melhor conduzir e gerenciar o seu consultório, inclusive na hora de saber onde investir o seu, já escasso, dinheiro. Melhorar a produtividade não é apenas fazer mais coisas em menos tempo, mas é também desperdiçar menos material, otimizar as compras em lotes econômicos, atuar sobre a ergonomia e sobre os fluxos internos de pessoas no consultório e de documentos externos, por exemplo. O que pode lhe trazer maior agilidade em fazer os procedimentos? Maior agilidade em receber os honorários, em evitar repetições, em evitar desperdícios ? Em outras palavras, você deve buscar ser mais produtivo não apenas na atitude clínica, mas em todas as atividades que envolvem um consultório. Vendedores de produtos odontológicos vão tentar te convencer que se você comprar este ou aquele produto, material ou equipamento, você terá mais pacientes etc, etc. Mas o que você precisa ponderar é o quanto esse produto oferecido irá lhe trazer em capacidade de produzir mais e ser mais eficaz, sem perder a qualidade (se possível melhorando-a) e sem perder o contato humano. Dessa forma, tomar medidas que visem aumentar a produtividade são sempre bem-vindas, desde que você não perca de vista os padrões técnicos de cada serviço prestado. As ferramentas da administração e do marketing, quando bem e seriamente aplicadas à odontologia, trazem resultados surpreendentes. São testemunhas disso todos aqueles que já solicitaram ajuda de profissionais de administração/marketing voltados à área da saúde. É gratificante ver que esforços bem aplicados se transformam em melhor retorno financeiro, maior qualidade de vida e até mesmo reconhecimento profissional. Em outras palavras: sucesso. Procure quebrar velhos mitos e passe a investir naquilo que poderá lhe trazer produtividade com qualidade. Pense nisso quando for decidir pela compra de um novo equipamento, instrumental, ou mesmo quando for fazer algum curso ou reformar o consultório. É realmente necessário? Vai ajudar a produzir mais em menos tempo? Vai ajudar a organizar melhor as atividade diárias? Vai reduzir os custos fixos e variáveis a curto, médio ou longo prazo? Você vai ficar surpreso com sua própria capacidade quando aprender a "apertar os botões certos".

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