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  • 23/08/2010 09h46

    Dentistas usam hipnose para acalmar pacientes

    Fonte: Folha de São Paulo / imagem_rhapsodie.

    Uso da técnica em consultórios está previsto na lei que regulamenta a odontologia no país.

    Controlar a ansiedade de um paciente odontofóbico durante um tratamento dentário e conquistar a sua confiança não é uma das tarefas mais simples. Por isso, é cada vez mais comum entre os dentistas a prática da hipnose no consultório com o objetivo de tranqüilizar o paciente e tornar o ambiente mais agradável durante o tratamento.

    O uso da técnica por dentistas está previsto na lei 5.081/66, que regulamenta a profissão no país. Mesmo assim, afirmam os especialistas adeptos da hipnose, ainda existem muitos preconceitos, que eles associam à falta de informação da população e dos próprios profissionais.

    "Poderia haver mais dentistas trabalhando com a hipnose se o tema fosse debatido na universidade. Alguns pacientes já enxergam a hipnose como aquela coisa mística, de palco, como espetáculo. E não é disso que estamos falando", afirmou o cirurgião dentista Doriélio Barreto da Costa, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

    60% dos pacientes

    O cirurgião e hipnólogo Marcelo Martins Moreira diz que usa a técnica de hipnose em cerca de 60% de seus pacientes. "É uma técnica natural e que, em alguns casos, pode substituir a anestesia química. Sua eficácia é comprovada e é preciso quebrar os mitos", afirma.

    Uma das novidades na aplicação da hipnose é a hipnoanalgesia -união da técnica com a analgesia, procedimento em que o paciente é anestesiado inalando óxido nitroso e oxigênio.

    Segundo João Roberto Ferreira da Rosa, presidente da Associação Brasileira de Analgesia e Sedação Consciente, quando o paciente inala o óxido nitroso e o oxigênio, ele fica levemente sedado e, por isso, mais suscetível à indução pela palavra.

    "Então, com o polegar na testa do paciente, o dentista começa a sugerir que ele mentalize locais mais bonitos, mais calmos, mais aconchegantes e, aos poucos, ele vai entrando em transe hipnótico e acaba relaxando completamente, facilitando bastante o tratamento", afirmou Ferreira.

    Monitoramento eletrônico

    Durante a sessão, o paciente é monitorado por um oxímetro, que indica a pulsação, a pressão arterial e a saturação de oxigênio. Segundo Rosa, qualquer pessoa pode ser hipnotizada, desde que acredite na técnica e confie no profissional.

    O cirurgião Luís Augusto Passeri, responsável pela cirurgia bucomaxilofacial da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), não usa a hipnose em seu consultório, apesar de reconhecer que o método funciona.

    "A técnica é boa, é útil, mas não tem aplicação universal porque nem todo mundo se deixa hipnotizar. Além disso, perde-se muito tempo, e não dá para aplicar como procedimento de rotina", diz Passeri.

    Alta aprovação

    Miguel Nobre, presidente do Conselho Federal de Odontologia, disse que em uma enquete realizada pelo conselho, o uso das terapias complementares (como a hipnose, a acupuntura e a homeopatia) foi aprovado por 91% das 47.714 pessoas que responderam a pesquisa.

    "Isso mostra que existe um movimento a favor das terapias complementares. Nunca ouvi dizer que homeopatia, hipnose e acupuntura fizessem mal. Ninguém pode ser contra alguma coisa que venha para o bem do paciente", afirmou Nobre.
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